terça-feira, 27 de março de 2012

Sâo vôos tão belos

destas andorinhas
que logo bem cedo
insistem em ensaiar

são cheios de encanto
os brilhos na noite
que surgem das águas
refletindo o luar

dizem que a natureza ao impedir
que recaiam aqueles que ela eleva
fecha sob estes as portas
que lhes faz transpor.

As marés enchem e esvaziam-se




num fluxo e refluxo
com leis de uniformidade e analogia
em compassos dual periódicos

será que isso se aplica
apenas as marés?
creio que não
meu caro pescador

muitos se propuseram
a transmitir
e simbolizar
o que sempre existiu.

segunda-feira, 5 de março de 2012

O gesto suave



como a brisa
um sorriso natural
de simplicidade matutina

a cortina dançava
sem grande movimento
nos leves sopros úmidos
um sol tímido entre nuvens

de fato não chovia
nem era negro o céu
era um dia em meio a noite
acordados pelo olhar.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Absorvido estou



pelo beco do céu
abaixo do sol
me desvio do mal

quando fecho meus olhos
o movente
e o não movente
se tornam um

pela essência da prática
do caminho sublime
e na meditação analítica
do eremita.


sábado, 25 de fevereiro de 2012

No horizonte desvelado

me vi só
como um adulto
deve ser

constelações brilhavam
o luar apareceu
alvoroçado pelo encanto
após o instante cochilei

devias ter visto o espanto
das ondas do mar
que nas pedras batiam
com a mente em paz descansei.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Ao descobrir



o que era melhor para si
o homem
parou de falar

ao escutar palavras alheias
o grande maquinário cerebral
fazia giros leves e suaves
sem sobressaltos de indignação

isso poderia ter sido usado
em outros tempos
mas só agora
aquilo lhe era possível.



O deslizar do dia



se esvaía
no semblante do mar
adormecido em azul


as cores
cintilantes do céu
em tons mudavam
com o tempo


ele agora não pensava
não recordava
sua imagem era
de imersa admiração.



Jetsun Mila-Zhadpa- Dorje